terça-feira, 8 de novembro de 2011


 

A avezinha liberta

Certa vez, uma avezinha, diferente de suas irmãs e irmãos, nasceu com dificuldades de expressão. Sua cabecinha não conseguia pensar direito e, enquanto os outros passarinhos cantavam lindamente, ela somente gritava sons.
Mas não era somente isso. Tinho – era seu nome – também tinha dificuldade de caminhar e de voar como os outros pássaros, necessitando sempre do carinho e do apoio dos irmãos que o amavam e cuidavam dele com muita dedicação. 
O tempo passou e Tinho cresceu. Contudo, chegou um momento em que, mesmo atentos, a mamãe e os irmãos não puderam ajudá-lo.  
Certa ocasião, no jardim onde vivia, o jardineiro passou o rastelo para fazer a limpeza do terreno e, reunindo toda a sujeira, folhas e galhos secos, ateou fogo no lixo. 
A avezinha, que pulava de um lado para outro na vegetação, procurando alimento, cansada de brincar e de voar, aquietou-se e dormiu. Não notou que o jardineiro acendera fogo ali perto. Quando percebeu o perigo, já era tarde. Foi atingido pelo fogo!  
Com as asinhas chamuscadas e os pezinhos queimados, Tinho tentou voar, mas não conseguiu. 
Sentia muita dor, mas não conseguia chamar ninguém, gritar por socorro. Quando a mãe, que nunca descuidava dele e o procurava, o encontrou, ele já estava ferido. 
Então, a mãe pôs-se a piar por socorro. Os outros ouviram o brado da mãe e vieram ajudá-la. Juntos, conseguiram retirá-lo do fogo com extrema dificuldade e levá-lo para local seguro. 
Como o papai-passarinho já passara para o outro lado da vida, a tarefa coube à mãe e aos irmãos, que cuidaram dele com infinito carinho, ajudando-o em tudo o que podiam. 
No entanto, os ferimentos causados pelo fogo eram muito graves. Por isso, chegou o momento em que a avezinha não podia mais continuar sofrendo. Precisava libertar-se daquele sofrimento que por meses a mantivera presa ao corpinho pequeno, frágil e com queimaduras. 
Desse modo, Jesus, que é todo amor e misericórdia, resolveu libertar o passarinho das amarras que o prendiam ao corpo físico. 
Então, finalmente, a avezinha, liberta em espírito, voou para o espaço ao encontro de todos aqueles que a amavam, sendo recebida com muito amor pelo seu papai.  
O Anjo da Guarda, que também viera recebê-la, envolveu a avezinha liberta com ternura, dizendo-lhe com carinho: 
— Seja bem-vindo ao Reino do Amor. Você fez jus por ter sabido enfrentar a existência de dificuldades que recebeu. Era necessário que assim fosse para que aprendesse a lição do amor. Suas dificuldades nesta última existência eram manchas que trouxe do passado e que marcavam seu espírito, e que precisavam ser eliminadas. Agora, liberto das amarras que o prendiam ao corpo físico, repousa meu filho, pois você bem merece.  
Após refazer-se por algum tempo, a avezinha despertaria para uma nova vida cheia de bênçãos e de alegrias, certa de que seu sofrimento não foi em vão. Que ela precisava passar por ele para reajustar-se perante as Leis Divinas.    
E assim a avezinha liberta, exausta da luta que enfrentara, mas feliz, sentindo-se leve e renovada, finalmente adormeceu nos braços do seu pai.        
Agora, sem dores e sem sofrimentos, Tinho podia voar pelos jardins, sentir o vento tocar suas penas, aspirar o perfume das flores, conversar com as borboletas, com os outros pássaros, com as árvores, com as plantas.  
E quem o visse assim, perguntaria: 
— Quem é essa avezinha luminosa que
passa por nosso jardim? 
E um sábio pássaro de mais idade responderia: 
— Essa é uma ave que venceu as dificuldades da vida e agora mora num outro jardim, no mundo espiritual, maior e mais bonito do que o nosso!    
                                                                  MEIMEI
 
(Mensagem recebida por Célia X. de Camargo em 25 de julho de 2011, por ocasião do retorno ao mundo espiritual do querido Vicente Pallotti Pennacchi.)

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